
Acabei de ler o texto abaixo, aqui.
A Polícia Militar do Distrito Federal vai abrir no próximo dia 10 as inscrições para o concurso que vai selecionar 1.500 soldados. Após ocurso de formação, eles receberão salário inicial de R$ 4.056,59 mensais. As inscrições serão feitas exclusivamente pela internet até10 de fevereiro, e somente serão aceitos candidatos de nível superior,até 30 anos de idade. O salário inicial do soldado da PM do DF é superior à média salarial dos oficiais do Exército, que fica em torno dos R$ 3,8 mil, muito embora ambos sejam pagos com recursos da União. Além de inúmeras regalias e ao contrário dos oficiais do Exército, osPMs no DF têm folgas a partir de 36 horas para cada doze trabalhadas."
Meus filhos, os da "primeira leva" tiveram a sorte de nascer mais ou menos onde queríamos- porque nem a isso temos direito. Amigos de infância eles praticamente não tiveram. Os filhos da "segunda leva" também não terão. Nada traumatizante claro, mas marcante na existência das pessoas.
Também precisamos apertar o cinto e colocar nossos filhos em escolas particulares para nos livrarmos de possíveis greves nas escolas públicas ( fora que o ensino é um lixo e todos sabemos disso) e, consequentemente, com os atrasos das férias, porque assim como hoje estamos aqui, amanhã poderemos estar beeeeem longe, por força de ofício. Porque nem sempre temos a sorte de morar numa cidade que tenha algum Colégio Militar - que hoje catapulta meninos e meninas para outas tantas profissões, que não a de militar. Por que será?
Ah, e caso nossos filhos tenham passado para alguma faculdade, após terem prestado vestibular como todos os mortais, terão de prestar vestibular novamente, porque até esse seu direito é negado. Como se a trasferência do pai fosse um prêmio da mega-sena e ele, como filho desse militar "sortudo" precisaria então pagar o preço dessa sorte. E a coisa piora, se o filho já estiver no meio de alguma faculdade.
Todos os civis nos cobram, porque acham que levamos vida de marajás: que não pagamos aluguel, que não pagamos imposto de renda, que não pagamos água, luz e telefone, que os maridos ganham uma fortuna a cada transferência. Tudo ilusão. A realidade é o contrário. Pagamos todas as contas, sim e as indenizações das transferências cobrem exatamente o que devem cobrir: nosso transporte e o de nossas coisas.
Nunca vi meu marido reclamar de uma marcha de 24 km em pleno inverno gaúcho e com chuva, mesmo quando seus pés voltavam carregados de bolhas. Afinal, essa foi sua opção de vida.
Vi meu marido ter grandes comandantes, cujo bom exemplo ele sempre carrega na lembrança e nos atos, mas também lidamos juntos com comandantes déspotas ( sim, eles existem) que se desmancham por subordinados puxa-sacos e massacram aqueles que não rezam por essa cartilha.
Vi injustiças inomináveis cometidas por esses déspotas, a ponto de meu marido se desencantar (pela primeira vez em anos) com a profissão, cujo salário, por si só, já era motivo para tanto.
Vou contar-lhes:
