quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Militares na lona.



Acabei de ler o texto abaixo, aqui.


"PM no DF terá nível superior e ganhará mais que a média dos oficiais Exército
A Polícia Militar do Distrito Federal vai abrir no próximo dia 10 as inscrições para o concurso que vai selecionar 1.500 soldados. Após ocurso de formação, eles receberão salário inicial de R$ 4.056,59 mensais. As inscrições serão feitas exclusivamente pela internet até10 de fevereiro, e somente serão aceitos candidatos de nível superior,até 30 anos de idade. O salário inicial do soldado da PM do DF é superior à média salarial dos oficiais do Exército, que fica em torno dos R$ 3,8 mil, muito embora ambos sejam pagos com recursos da União. Além de inúmeras regalias e ao contrário dos oficiais do Exército, osPMs no DF têm folgas a partir de 36 horas para cada doze trabalhadas."


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Caso o texto acima seja verdadeiro, fico cá com meus botões.

Então penso no meu marido, que retroagiu anos nos estudos para poder ingressar no colégio militar. Ralou, suou, estudou e entrou para a AMAN. Mais ralação - da brava. Uma vez formado, nos casamos ( militar de carreira não casa antes de se tornar oficial, não senhor!) e fomos correr mundo, com a casa nas costas e a saudade dos familiares na bagagem.

Meus filhos, os da "primeira leva" tiveram a sorte de nascer mais ou menos onde queríamos- porque nem a isso temos direito. Amigos de infância eles praticamente não tiveram. Os filhos da "segunda leva" também não terão. Nada traumatizante claro, mas marcante na existência das pessoas.

Também precisamos apertar o cinto e colocar nossos filhos em escolas particulares para nos livrarmos de possíveis greves nas escolas públicas ( fora que o ensino é um lixo e todos sabemos disso) e, consequentemente, com os atrasos das férias, porque assim como hoje estamos aqui, amanhã poderemos estar beeeeem longe, por força de ofício. Porque nem sempre temos a sorte de morar numa cidade que tenha algum Colégio Militar - que hoje catapulta meninos e meninas para outas tantas profissões, que não a de militar. Por que será?

Ah, e caso nossos filhos tenham passado para alguma faculdade, após terem prestado vestibular como todos os mortais, terão de prestar vestibular novamente, porque até esse seu direito é negado. Como se a trasferência do pai fosse um prêmio da mega-sena e ele, como filho desse militar "sortudo" precisaria então pagar o preço dessa sorte. E a coisa piora, se o filho já estiver no meio de alguma faculdade.

Todos os civis nos cobram, porque acham que levamos vida de marajás: que não pagamos aluguel, que não pagamos imposto de renda, que não pagamos água, luz e telefone, que os maridos ganham uma fortuna a cada transferência. Tudo ilusão. A realidade é o contrário. Pagamos todas as contas, sim e as indenizações das transferências cobrem exatamente o que devem cobrir: nosso transporte e o de nossas coisas.

Nunca vi meu marido reclamar de uma marcha de 24 km em pleno inverno gaúcho e com chuva, mesmo quando seus pés voltavam carregados de bolhas. Afinal, essa foi sua opção de vida.

Vi meu marido ter grandes comandantes, cujo bom exemplo ele sempre carrega na lembrança e nos atos, mas também lidamos juntos com comandantes déspotas ( sim, eles existem) que se desmancham por subordinados puxa-sacos e massacram aqueles que não rezam por essa cartilha.

Vi injustiças inomináveis cometidas por esses déspotas, a ponto de meu marido se desencantar (pela primeira vez em anos) com a profissão, cujo salário, por si só, já era motivo para tanto.


Vou contar-lhes:
Meu marido, por discordar de uma brincadeira racista de um comandante, quase teve sua carreira arruinada, a ponto desse comandante dizer-lhe : " Eu vou fazer de tudo para te punir e caso eu não consiga, vou acabar com teu conceito!"

Dito e feito, porque como ele mesmo disse não conseguiu puni-lo, mas arrasou no conceito (cujas fichas pedimos, para podermos ler). Lá, escreveu mentiras corroboradas pela sombra que a posição que ocupava permitia, e pela omissão dos que deveriam questionar ou fiscalizar.

O nome disso? Assédio moral. Foram 2 ou 3 anos no inferno.
Existe também o assédio sexual, mas desse nem vou falar.

Hoje em dia, esse tipo de atitude de um patrão em qualquer ramo de trabalho é punida severamente e até processo o cidadão toma nas costas. Mas no meio militar, onde a hierarquia prevalece, a quem recorrer?

Sofremos vários tipos de privações, a começar pela família. Depois as dificuldades nos vínculos afetivos, porque não temos tempo de solidificar muitas das amizades (muitas das quais gostaríamos de desfrutar), passando pelas profissionais, porque muitas abrem mão das suas carreiras, em favor da carreira dos maridos, porque como uma dentista vai clinicar um ano aqui e outro ali?

Nossa vida toda é coberta de "glamour" no imaginário popular, mas a nossa realidade é muito mais dura que isso.
A gente cansa de ver o Executivo fazer pouco caso dessa instituição, mas quando tudo mais falha, a quem eles chamam? O Exército, claro. Por quê? Porque recebem bom treinamento, são disciplinados, sabem cumprir ordens e obedecem a hierarquia, mesmo recebendo salários injustos e extremamente defasados (ridículos até, se formos levar em conta o nível moral, intelectual e catedrático deles). Ah, e o mais importante: amam o que fazem, porque se fossem optar por essa profissão apenas pela promessa de bom salário, já teriam debandado.

5 comentários:

BOOTLEAD disse...

Olá Talma!

Parabéns pelo ótimo texto, sem comentários.

Um abraço
Bootlead

Veronica disse...

Estou horrorizada mas sei que é tudo verdade infelizmente, isto é Brasil, mas nao podemos cruzar os braços e nem desistir, acho que esta na hora de uma nova revolução,para mostrar a força do povo perante governantes desvairados que perderam a noçao total de respeito à vida.
Parabens.Beijos

FENIX disse...

A crise, que começou financeira, transformou-se em econômica e, na ausência de governo, já está se transformando em crise social. A crise social é reflexo, à primeira vista, do maciço desemprego e na conseqüente queda de consumo e na inadimplência que acarretam menor produção e mais desemprego.

Insensível, o governo já projeta a mesma arrecadação de impostos verificada no ano passado, haja vista o impostômetro apresentar valor de 100 bilhões no mês de janeiro, o que projeta arrecadação de 1,1 trilhão de reais no ano. Um fio muito tênue, ao mesmo tempo em que separa, une a crise social à violência, principalmente nos grandes centros urbanos.

Os empregados, mais prudentes que o governo sindicalista, já abrem mão de salários integrais com a correspondente redução de jornada de trabalho, a fim de manter seus empregos. Mas, o governo perdulário, até agora não acenou com a redução de impostos e de gastos, como se vivesse num universo paralelo, imune aos problemas dos mortais que os sustentam.

Em breve teremos convulsão social e, sem forças armadas, uma possível guerra civil, de conseqüências castatróficas.

"LIBERTAS QUAE SERA TAMEN"

Laguardia disse...

Amigos.
Não sou jornalista nem escrevo bem.
Sou aposentado, recebendo do INSS e tendo o IR descontado na fonte. Não recebo as benesses de nosso apedeuta mor que tem pensão do INSS acima do máximo, isento de Imposto de Renda por se achar perseguido político, ou melhor, por se anistiado político.
Luto com as armas que tenho que é um blog, como forma de desabafar ao ver tanta roubalheira, falta de ética, falta de honestidade e principalmente falta de vergonha na cara desta quadrilha que tomou de assalto o Palácio do Planalto.
Quero convidar os amigos a participarem da minha forma de protesto, o blog Brasil – Liberdade e Democracia - http://brasillivreedemocrata.blogspot.com/.
Se não levantarmos nossas vozes em protesto o que será deste país para nossos filhos e netos?
Agora é a hora de lutarmos por uma pátria livre democrática, e sobre todo com governantes honestos e éticos.

FENIX disse...

Estão ouvindo este som? Uma espécie de zumbido incessante que incomoda sem que se saiba a origem?

É o som da verdade querendo romper o espesso manto de mentiras tecido pelo PT e seu desgoverno.

E a atmosfera. Estão sentindo? Algo inexplicável no ar. Algo que, por desconhecido, gera grande insegurança e inquietação.

É o principio do começo do fim.

Depois de décadas reinando, a mentira e o engodo parecem ceder à imparcialidade da verdade.

Lentamente, quase despercebidamente, não fosse o incomodo que gera nos estrategistas do engano.

Aos que sentem, ainda sem saber ser bom ou ruim, ou identificar a fonte, fica o gosto desconhecido a alimentar a imaginação, prospectando o futuro.

Está próxima a hora do evento sem retorno. São as dores do parto tardio, pós-maturo e os gemidos que antecedem a chegada do rebento.


"LIBERTAS QUAE SERA TAMEN"