Manchete do Bom dia Brasil de hoje:
"Polícia investiga se houve negligência do Conselho Tutelar no caso dos dois meninos assassinados pelo pai e madrasta na cidade de Ribeirão Pires".
Quem conhece bem as engrenagens lentas do sistema já sabe a resposta. A questão é que ninguém será responsabilizado, muito menos penalizado e, caso o seja, pagará por uma "infração leve".
É fato, é Brasil e não adianta.
Vou contar uma historinha...
Há poucos anos atrás, eu e meu marido visitávamos uma instituição que cuidava de meninas. A maioria, meninas que tinham sido tiradas de casa pelo Conselho Tutelar, porque a situação familiar era considerada de risco. Leia-se aí pai bêbado e/ou mãe prostituta e/ou drogada, abusos de várias formas, enfim...tudo de ruim que possa passar pela cabeça de vocês.
Lá havia uma garotinha de mais ou menos 2 anos (vamos chamá-la de Rayssa) por quem nos apaixonamos.
Solicitamos informações a respeito da situação dela aos funcionários da casa, mas eles não podiam nos dar essas informações. Só que sempre tem uma adolescente ou uma funcionária da cozinha, cansada da lenta engrenagem, que acaba falando alguma coisa.
Então ficamos sabendo da história de Rayssa. Ela estava na instituição juntamente com as outras 4 ou 5 irmãs (pasmem, todas irmãs apenas por parte de PAI). Mesmo tendo apenas 2 anos, ela era veterana em instituição porque a mãe , que era prostituta, havia morado noutra cidade e nessa outra cidade Rayssa também esteve institucionalizada.
Em resumo: por toda a vida, Rayssa viveu em instituições e NUNCA com a mãe ou família, assim como NUNCA havia recebido visitas de parentes salvo da mãe, que para não perder o vínculo, ia lá uma ou duas vezes ao ano. Lembrando que Rayssa tinha 2 anos de vida, apenas DOIS.
Soubemos também que a psicóloga da instituição, que fazia relatórios regulares sobre o caso, era de parecer que Rayssa estava apta para entrar para a adoção e que era desaconselhável o retorno dela à família.
Eu e meu marido chegamos à conclusão que aquilo era abandono (alguém discorda?) e fomos até o Promotor Público, da Vara da Infância e Juventude e requeremos a Destituição de Paternidade, juntamente com pedido de Guarda Provisória. Para quem não sabe, a Guarda Provisória já é o primeiro passo rumo ao processo de adoção. Nossa intenção era levá-la logo para casa, para que ela pudesse sair logo da instituição que, por melhor que fosse (e aquela era muito boa) nunca é um lar.
Mas mesmo com os pareceres e relatórios da psicóloga, nosso pedido foi negado e Rayssa foi morar com a avó - aquela que nunca foi visitá-la e cuja filha (mãe de Rayssa) tinha virado prostituta.
Tenho quase certeza de que ninguém do Conselho Tutelar vai lá fazer visitas regulares, para se certificar do bem-estar dela. Por que o fariam? Ela está em "família" e o sangue, para a justiça, falou mais alto. É esse o argumento questionável deles, de que a criança prioritariamente tem que voltar para a família . E a gente se pergunta: mesmo com parecer desfavorável dos profissionais da instituição???
Pela decisão da justiça, podemos concluir que esses profissionais devem estar lá para servirem de enfeite.
Se algo acontecer à Rayssa, a quem poderemos culpar? Além do mais, depois do mal feito, de que adianta?
Essa é a nossa justiça.
...
Para você entender...
Uma criança vai parar uma instituição porque na maioria das vezes, os pais têm problemas diversos e enquanto não resolvem, as crianças ficam no "depósito" esperando. E isso pode demorar uma vida. E se os pais não autorizarem ( e por que o fariam? afinal, o Estado dá casa, comida e roupa), as crianças ficam lá eternamente, sem chance de ser feliz em casa ou num lar adotivo.
Mas recentemente foi aprovada uma lei que regulamenta o tempo em que uma criança pode ficar "depositada" numa instituição, esperando que os pais tomem vergonha na cara.
Demorou!
Universidade ou presídio?
1 hora atrás

3 comentários:
Talma,
Nossa,é triste e angustiante esta situação.
Infelizmente é a dura realidade dessas instituições.
Mas não temos que nos calar nem fechar os olhos.
Uma pena que a "Rayssa" não pode viver com vocês.
Beijão
Oi amiga Talma,
Como tudo no Brasil é regido pela ignorância e pelas leis ultrapassadas, nós ficamos de pés e mãos atados!!!
Nunca desista dos seus desejos, sonhos e fé.
Sorte Guerreira!
Virá outras "Rayssas", tenho certeza disso!
Carinhosamente, Luiza.
Este posicionamento de colocar a qualquer custo uma criança abandona com alguém da família biológica não é lei, mas mero e ridículo posicionamento do Ministério Público e do Conselho Tutelar, institutos que deveriam zelar pelo bem estar da criança, fazem o contrário, dão inúmeras chances para pais/avós/tios absolutamente omissos e/ou negligentes se "arrependerem", e enquanto isso essas crianças permacem nesses "depósitos" de menores, e vão crescendo desnutridas, colecionando traumas e desamor, enquanto casais ficam numa espera interminável por um filho... Lamentável!!
E não adianta mudar a lei, se essas pessoas de pedra, que imaginam ser donos da verdade não mudarem, sou da opinião de que o promotor de justiça da vara da infancia, antes de assumir seu posto, deveria trabalhar nessas instituições, pelo menos 2 anos, pra ver a realidade, pra ver que por trás de um processo judicial, existe uma ser que precisa de atenção, carinho, amor, alimentos, moradia JÁ, e não quando os pais biológicos resolverem ficar com eles, ou desistirem deles...
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